DE PORTO ALEGRE ATÉ SÃO PAULO COM UMA HONDA CBR 500RAtendendo convite especial da Honda do Brasil, deixamos Porto Alegre no dia 4 de Outubro de partida para São Paulo a fim de fazer a cobertura do Salão Duas Rodas, dispensando o avião que nos tinha sido disponibilizado pela ABRACICLO (Associação Brasileira dos Fabricantes de Ciclomotores, Motocicletas e Bicicletas), e embarcamos nessa viagem de moto, mais precisamente numa PCX 150 e numa Honda CBR 500R, esta última o motivo desta matéria. Afinal, quem, como nós, gosta de moto, não perde uma oportunidade de rodar de moto.
A CBR 500R é uma esportiva de média cilindrada e, como tal, oferece um bom meio termo entre desempenho, conforto e economia.
A proposta não era somente rodar com ela neste percurso, mas rodar com ela bem carregada.
Como passaríamos uma semana inteira envolvidos com a cobertura da feira e, logo depois de terminado o Salão Duas Rodas, ainda embarcaríamos para uma viagem de três semanas tendo como destinos Roma e Londres, a quantidade de bagagem necessária era grande. Por decorrência disso, a CBR 500R teria de deslocar piloto, dois alforjes laterais adaptados, duas mochilas, uma sob o assento do passageiro e outra nas costas do piloto e tanque de combustível cheio. Enfim, a moto teria de tracionar aproximadamente 150 Kg entre piloto e bagagens, algo equivalente a piloto mais garupa.
A moto foi preparada no sábado, 3 de outubro, para partida no domingo, 4 de outubro, bem cedo, em torno das 08:00 horas. Uma atenção especial foi dada à calibragem dos pneus, como se a viagem fosse ser feita com dois passageiros, em função do carregamento que lhe estava imposto. Com tudo ajeitado, a saída aconteceu como previsto e a CBR 500R começou sua jornada.
No primeiro dia a missão era rodar algo em torno de 600 Km, chegando próximo da divisa entre Santa Catarina e Paraná. O tempo estava bom, um pouco frio, mas nada que uma boa jaqueta e calça de cordura da LookWell não pudesse isolar. Havia só um limitante, a CBR 500R teria de acompanhar o ritmo da PCX 150, ou seja, rodaria com muita sobra de potência e força e, portanto, possivelmente teria um bom ganho na economia de combustível.
A condução ficou a cargo de Jaime Nazario que seguiu Gisele Flores que se posicionou à frente com a PCX 150 e, nos primeiros cento e poucos quilômetros, até o final da FreeWay (BR 290) em Osório, ela não forçou muito, se deslocando entre 80 e 90 Km/h. Para a CBR 500R era rodar em baixo giro e com muita tranquilidade, pois, apesar do peso extra, o motor nem demonstrava sentir a diferença.
Após este percurso, uma pequena pausa para um cafézinho e primeiras analises. “A CBR 500R é confortável. A posição mais elevada do guidão faz com que o piloto não fique tão inclinado sobre a moto, o quê é bom para viagens mais longas. O motor de dois cilindros paralelos, nesta velocidade, roda macio e muito tranquilo. O tanque de combustível está quase cheio, sinal de que o consumo foi bem menor do que o esperado”, comentou Jaime.
Com a PCX podendo imprimir um ritmo um pouco maior, em torno dos 100 Km/h até chegar ao ponto em que seria necessário parar novamente para reabastecer. A CBR 500R pode se soltar um pouquinho, mas tal acréscimo de velocidade nem fez diferença no desempenho da moto, tanto que nem foi preciso reabastecer nesta parada.
Depois deste primeiro abastecimento da PCX 150, o ritmo em torno dos 100 Km/h foi mantido a partir de então, aumentando para até 110 Km/h quando era permitido, até completar a nossa primeira escala. Neste primeiro trecho, a CBR 500R registrou um consumo espetacular, de 27,6 Km/l. Rodando assim “devagar”, mesmo com um pouco de peso, houve “sobra” de moto e, o principal, é que ela não cansou, era como pilotar uma moto não esportiva no conforto com a segurança de se poder imprimir maiores acelerações e velocidades se necessário.
No dia seguinte, o desafio ficaria mais intenso em função de que teríamos subida de serra pela frente, mas não só por isso, pois ainda teria o clima como adversário. O dia amanheceu cinzento e com boa quantidade de água caindo. Não havia outro jeito senão tirar a roupa de chuva da bagagem e enfrentar o mau tempo, pois tínhamos de chegar em São Paulo até o final daquela segunda-feira, 5 de outubro, para descansarmos para uma terça-feira bem atribulada com uma séria ininterrupta de entrevistas coletivas pré-abertura do Salão ao longo de todo o dia seguinte.
Com muita chuva caindo a visibilidade diminuiu bastante e não havia outro jeito senão diminuir o ritmo de viagem, para algo em torno dos 80 Km/h novamente. Na subida de serra, o motor da CBR 500R chegava a pedir para ser mais acelerado, mas o motor de 150 cilindras da PCX sentiu o peso e a necessidade de proporcionar mais força. O ritmo caiu para 70 Km/h para não forçar a PCX 150 e para tornar a viagem mais segura. O consumo da CBR 500R diminuiu e a média de consumo chegou a quase 30 Km/l. Como o objetivo é comprovar o conforto, a economia e a segurança de uma viagem com uma CBR 500R não foi dada nenhuma “esticada” para ver até que velocidade máxima ela poderia chegar, até porque isso configuraria uma grave infração de trânsito. Noutro oportunidade, vamos levar a CBR 500R para um autódromo para testar o seu lado “racing”. Então, mesmo com chuva, frio, subida de serra e muita bagagem, chegamos em São Paulo no final do dia, sem nenhuma ocorrência.
No dia 9 de Outubro devolvemos a CBR 500R com 1.223 Km rodados e ficamos com a clara percepção de que esta é uma moto muito bem equilibrada em sua proposta. Tem bom preço, é confortável, econômica e ágil o suficiente para ser versátil, ou seja, pode proporcionar a emoção de uma acelerada ou de uma velocidade final maior, bem como pode levar com conforto um casal em viagem e ainda servir de veículo particular para deslocamentos urbanos, enfim, uma moto para quem procura um bom meio termo em vários critérios. (Fonte: Revista da Moto) 
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