
Em uma comunidade da zona rural de Remanso, no norte da Bahia, crianças percorrem cerca de 4 km de carroça ou a pé, debaixo de sol forte, para estudar.
A Escola Municipal São Lucas, no povoado de São Bento, é o destino desses alunos que viajam por mais de uma hora. A estudante Maria Eduarda relata a dificuldade que é chegar na instituição.“Estou muito ansiosa para ir para a escola, mas é muito difícil”, disse.
Ela vive com outras nove pessoas em uma casa no povoado, que é o ponto de encontro das outras crianças que vão para a escola.
De lá, sai o transporte escolar delas, uma carroça puxada por um burro. São 4 km de estrada de chão enfrentando a poeira, o sol forte do sertão baiano e a falta de segurança.
A dona de casa Maísa Lopes é quem leva as crianças na carroça. A viagem dura cerca de 1h10. “Todo dia eu levo eles e é bem difícil transportar nesse animal porque o sol é muito quente”, disse a dona de casa.
Segundo a professora Maria Lúcia Gomes, os atrasos dos alunos são constantes.“Eles sempre chegaram atrasados. É muito longe e bem difícil para eles. Eles vêm de animais e às vezes não conseguem encontrar animais e vêm a pé. Tem uns que já chegam tão cansados”, disse a professora.
Em nota, o Ministério Público informou que notificou a prefeitura de Remanso sobre o caso. O MP disse ainda que vai fazer diligências e que, se forem constatadas irregularidades e elas não forem resolvidas, vai entrar com uma ação judicial contra a administração municipal.
Em nota, após polêmica sobre a situação ter viralizado nas redes sociais, a secretaria de Educação da cidade informou que está apurando a situação das crianças de São Bento.
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