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MESMO COM ESTOQUE , SALVADOR VAI COMPRAR OXIGÊNIO MEDICINAL PARA EVITAR COLAPSO NA SAÚDE


por Matheus Caldas

Mesmo com estoque, Salvador vai comprar oxigênio medicinal para evitar colapso na saúde
Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

Mesmo com estoque de oxigênio medicinal, a prefeitura de Salvador iniciou os trâmites para se precaver de uma eventual escassez no sistema público de saúde. 

 

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) abriu, nesta terça-feira (23), pregão eletrônico para contratação de empresa especializada para a prestação de serviços no fornecimento de oxigênio medicinal “a serem fornecidos as unidades de saúde, Samu, eventos e festas populares do município de Salvador com todo o aparato necessário ao funcionamento”. A informação consta no Diário Oficial do Município.

 

De acordo com o secretário Leo Prates, há estoque suficiente na capital baiana para suprir a demanda do SUS. Contudo, ele admite que a gestão optou por contratar o serviço para se precaver. “Temos estoque, mas estamos correndo”, explicou, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Há um mês, Salvador já havia aberto convocação para a mesma finalidade (leia mais aqui). Na ocasião, o oxigênio medicinal, utilizado nos respiradores para intubamento no tratamento da Covid-19, ganhou notoriedade no cenário nacional após a falta do insumo nos hospitais de Manaus, o que gerou crise na rede de saúde da capital amazonense. 

 

Documentos obtidos pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC) apontam, que, em apenas dois dias, 30 pessoas morreram na cidade por conta da falta do oxigênio nos hospitais. De acordo com o portal UOL, nos cinco dias em que houve escassez do oxigênio nas unidades hospitalares, houve alta de 41% nos óbitos. 

 

Se a oferta do insumo na capital é controlada, não se pode fazer o mesmo diagnóstico da pandemia como um todo. Entre o final da última semana e o início desta, Salvador vem registrando, assim como as principais cidades da Bahia, crescimento nas taxas de ocupação dos leitos de tratamento da Covid-19. Enquanto os hospitais particulares vivem risco iminente de colapso (leia mais aqui), a rede pública dá sinais de saturação. Por conta disto, o prefeito Bruno Reis (DEM) anunciou que vai assumir o Hospital Salvador como unidade exclusiva para o tratamento do novo coronavírus. Serão 40 leitos de UTI e 120 de enfermaria (leia mais aqui).

 

Também na capital, o governo do estado anunciou a reabertura do hospital de campanha na Arena Fonte Nova. O equipamento deve estar novamente à disposição dos profissionais de saúde neste final de semana (leia mais aqui).

 

Além da abertura de novas unidades de saúde, o governador Rui Costa (PT) anunciou toque de recolher no estado. Iniciado na última sexta-feira (19) para durar entre 22h e 5h, a medida restritiva foi reforçada e ganhou mais 2h a partir da última segunda-feira (22) por conta do aumento das taxas de ocupação dos leitos de UTI na Bahia. Agora, em vez de 22h, a restrição foi antecipada para ter início às 20h. O decreto é válido até o próximo domingo (28) (leia mais aqui).

 

A medida foi contestada nesta terça pelo ex-coordenador do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, Miguel Nicolelis, em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Salvador FM. “No momento em que a gravidade aumenta muito, como é o caso da Bahia, o toque de recolher começa a diminuir o seu efeito a ponto de não ser mais efetivo, porque a transmissão já está fora de controle e ela ocorre nos outros períodos do dia”, disse ao citar como exemplo o transporte coletivo, comércio e outros locais em que há aglomeração (leia mais aqui).

 

Por conta da crise, Rui sinalizou que não descarta adotar o lockdown no estado. "Há possibilidade, sim. Estamos agindo progressivamente para ganhar a colaboração e confiança de todo mundo. Se nada surtir resultado nós vamos ampliando isso até fechar tudo. Nós estamos caminhando mais duas semanas, o Brasil vai estar vivendo uma tragédia nacional. Vamos perceber um rápido espalhamento no Brasil", disse na edição do Papo Correria desta terça (leia mais aqui).

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