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CHAPLIN- O IMORTAL CARLITOS


Chaplin - O imortal Carlitos

Márcia Oliveira

Professora


Num cenário preto e branco, por trás de um pequeno bigode, surge um homenzinho de calças largas, andar desengonçado, olhar um tanto melancólico, minúsculo chapéu coco e uma bengala que brinca em suas mãos. Chaplin revolucionou o mundo cinematográfico da forma mais silenciosa possível, enchendo a tela de poesia, ingenuidade, riso e verdade.
Ele fez de Carlitos um personagem célebre e impagável, projetado através da imagem do inocente vagabundo, o qual, ao se identificar com os humildes, desmistificou a falsa dignidade burguesa. Cambaleava pela ruas, imprimia nos passos ligeiros uma pressa descompassada como os sentimentos que, ao mesmo tempo, afastam e aproximam os homens, da forma mais vertiginosa possível.
Esse personagem imortal nasceu inspirado num velho cocheiro londrino, ébrio, de andar oscilante, que tentava buscar um pouco de equilíbrio nos imensos sapatos surrados, tal qual seus sonhos de eterno vagabundo. Nasceu do povo humilde e, se não fosse o cinema o aproximar dos homens, ficaria assim, anônimo para sempre, o que não aconteceu, pois se igualou ao seu criador, transpondo-se para o sucesso e a popularidade da história do cinema mundial.
Charles Chaplin morreu em plena noite de Natal, quando o mundo estava em festa. Fechou os olhos para a tela viva da vida de forma lenta, contrária a sua obra e aos passos do seu personagem inquieto, irreverente, que pelo movimento, agilidade e inteligência dominou o homem e criticou a sociedade de forma simples e humana. "Não sois máquina, homem é que sois". "Por que odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos!". "O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, nos desviamos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passos de ganso para a miséria e o morticínio."
Viveu fazendo tantos questionamentos. Morreu sem respostas. O pequeno-grande herói do cinema mudo nos falou tanto, nos dizendo muito, nas mais variadas formas de expressar amor, tristeza, indignação, esperança, alegria, emoção: cineasta, artista circense, comediante, garçom, agitador social, compositor, ator, diretor, articulador de idéias e pensamentos...
O inquietante vagabundo continua andando por aí, sem saber aonde ir, buscando sem saber o quê, perguntando muito, tendo o nada como resposta. Representa milhões de pessoas, num deserto solitário de seres solidários. "Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido".
Vês, Chaplin? Estás me ouvindo? Como eu gostaria de ver, de novo, na tela, mesmo descolorida de esperança, o inocente vagabundo que emocionou o mundo no silêncio da pantomima que denunciava a miséria, satirizava a sociedade, a imponente resignação das pessoas desprovidas de tudo! Cada gesto era um suspiro da platéia, cada olhar era uma lágrima inquietante e, que, de repente, era substituída pelo riso ensurdecedor dos espectadores, naquele carrossel de ilusões.
Queria novamente ouvi-lo dizer: "sorri quando a dor te torturar e a saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios...” e indagar: "para que chorar o que passou, lamentar perdidas ilusões, se o ideal que sempre nos acalentou renascerá em outros corações".
Levanta os olhos! Vês, Chaplin? Estamos tentando encontrar um mundo novo, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da violência, como Carlitos tentou encontrar... e não o encontrou. Ergue os olhos, Chaplin! Ergue os olhos desses humanos, que continuam empedernidos e cruéis!
Acesse vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=bbtSJ3bhzGE para ouvir “Luzes da Ribalta”, na voz de Maria Bethania.


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