QUANDO VALE UM PROFESSOR?
Quanto vale um professor?
PAULO CAMINHA (*)
Jornalista e Escritor
Jornalista e Escritor
A
escolinha do professor Raimundo. Apenas uma diversão? Apenas o surtir
no telespectador o efeito do riso? É isto e bem mais do que isto: uma
sátira às dificuldades de vida que enfrenta o professor neste país de
extremas e desnorteantes desigualdades. Com efeito, um símbolo
artístico. Que põe a descoberto uma realidade vergonhosa. Vergonhosa? Na
verdade, uma feroz desfeita a esse sujeito social capaz de transformar o
mundo... O professor.
É
despreparada a maioria dos nossos professores? Bem; não vamos discutir a
coisa sob aspecto, até porque, façamos-lhes justiça, não lhes cabe a
culpa. Nesse particular, pois, fiquemos só até aí. Somente uma coisa. Se
o professor não ganha sequer para atender às despesas de casa, o que
vale dizer, não pode comprar livros, como admitir, ou exigir-lhe o
preparo à altura do seu mister? É pedir demais.
Vamos,
aqui, ao que interessa. Quantas vezes um deputado ganha mais do que um
professor? Hein? Nem é bom falar. E agora lhe pergunto: Quem é mais útil
à sociedade? Também não é preciso responder, de tão evidente. De tão
aos olhos. Eu disse útil? Acho que coloquei mal o termo, na medida em
que deputado não serve para coisa nenhuma... Além do que já se sabe. Sem
esforço nenhum.
Não
quero nem deputado; vamos mesmo de vereador. Em qualquer lugar deste
país, um vereador ganha mais do que um professor, e para não fazer nada,
como os seus maiores na hierarquia legislativa. E tanto é assim, e por
isso, que a vereança se tornou, como é evidente, o emprego mais cobiçado
nos sítios municipais. Com a vantagem de não bater um prego numa barra
de sabão, como vulgarmente se diz.
Mas,
talvez se pergunte: Onde está o dinheiro para se pagar ao professor o
salário digno? Muito simples. E até demais. Claro que está no custo do
legislativo, como um todo, no bolso das classes do prestígio, afinal de
contas na corrupção na gestão da fazenda pública, sem uma jaculatória de
penitência. O dinheiro existe, só que não chega para o bico do
professor. Só um reparo - quem manda votar nessa gente?
E
ainda se fala em melhora da educação neste país. Como, se o professor
ganha vergonhosamente menos que um parasita do funcionalismo de câmara
municipal? Direi mais: no Japão, como exemplo, o professor é
considerado, e a tal ponto de ser visto, ou tratado, com enorme respeito
pela sociedade, onde quer que se apresente. É o sujeito social da
cultura. Em suma é isto: a escolinha do professor Raimundo é a fiel
representação dessa classe... No Brasil.
(*)
Sobre o Autor - Paulo Caminha é jornalista e Doutor em Jornalismo pela
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).
Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos
os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes
de TV), nas funções de repórter.Atualmente, é jornalista correspondente
e professor universitário.
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br










































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