terça-feira, 26 de junho de 2012
Coca-cola vendida no Brasil teria maiores taxas de corante cancerígeno.
Um
estudo divulgado nos Estados Unidos pelo Centro de Ciência de Interesse
Público (CSPI, na sigla em inglês), nesta terça-feira (26), mostra que
as latas do refrigerante Coca-cola vendidas no Brasil têm a mais alta
concentração da substância 4-metil imidazol (4-MI), que, em altas
quantidades, poderia levar ao câncer.
As latinhas analisadas no país
apresentaram 267 mg de 4-MI por 355 ml de refrigerante. A substância é
usada na fabricação do corante caramelo. Pelas normas brasileiras,
estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
seu uso é permitido, "desde que o teor de 4-metil imidazol não exceda no
mesmo a 200mg/kg (duzentos miligramas por quilo)".
O valor encontrado nas latinhas
brasileiras está abaixo do limite da Anvisa, mas é o mais alto entre os
países analisados. O Quênia fica em segundo lugar, com 177 mg de 4-MI
por 355 ml, seguido por Canadá (160 mg), Emirados Árabes Unidos (155
mg), México (147 mg), Reino Unido (145 mg), Estados Unidos (Washington -
144 mg), Japão (72 mg) e China (56 mg).
A pesquisa foi feita pelo mesmo
instituto de pesquisas que, em março fez o mesmo alerta para a
substância em latinhas de refrigerante encontradas no estado americano
da Califórnia.
Em 8 de março, a Coca-Cola Brasil
informou em nota que os ingredientes e as quantidades utilizados nos
seus produtos "seguem rigorosamente os limites estabelecidos pela Anvisa
e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento". No dia
seguinte, em outra nota, a empresa afirmou: "O corante caramelo
utilizado em nossos produtos é absolutamente seguro".
Também em março, o toxicologista
Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital
das Clínicas da Universidade de São Paulo (Ceatox), explicou ao G1 que a
substância se mostrou tóxica para ratos e camundongos na concentração
de 360 mg/kg, que é pouco menos que o dobro do limite legal no Brasil.
O especialista explicou que o
órgão mais exposto ao câncer nesses animais foi o pulmão. O fígado
também ficou sujeito a diversas alterações, incluindo câncer. Além
disso, foram registradas mudanças neurológicas, como convulsões e
excitabilidade.
G1
