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CAETITÉ.ESCOLA E COLÉGIO ESTADUAL (VEJA COM TUDO COMEÇOU)

Caetité, pequenina mas ilustre – Por Luzmar Oliveira
Escola Normal e Colégio Estadual de Caetité 

Em 24 de agosto de 1895, durante o governo do caetiteense Rodrigues Lima, foi criada em Caetité a primeira Escola Normal do alto sertão baiano. A mesma começa a funcionar três anos depois mas, por motivos políticos, é fechada em 1903 pelo então governador Severino Vieira.

Mas aquela terra não ficou desfalcada, pois os jesuítas europeus imediatamente fazem funcionar ali nos próximos vinte anos, o Instituto São Luiz Gonzaga, com ensino de alta qualidade.

É reaberta em 1926, quando, no governo de Goes Calmon, outro caetiteense assume a Diretoria Geral de Instrução, o grande pedagogo Anísio Teixeira. Começava ali a merecida fama de CAETITÉ CIDADE CULTURA.

Instalada em um complexo de prédios na Praça da Feira Velha, aquela escola formou várias turmas de professores que se espalharam por diversas cidades da Bahia. E ali funcionou até 1955 quando foi transferida para um prédio de dois andares na parte mais alta da cidade, aos pés do Morro do Cruzeiro. Ali foi construído o edifício e mais um auditório e quadra de esportes.

Naquele colégio da Feira Velha havia, na entrada, os pavilhões Goes Calmon, à esquerda, com duas salas de aula com acesso por escadas individuais. Na década de 50, na primeira funcionava o Jardim de Infância. O outro pavilhão à direita, o Ruy Barbosa, era composto de um Salão Nobre e uma diretoria. Entre os dois, canteiros com verbenas coloridas e cercados por uma estrutura de cimento imitando a troncos de árvores. No meio, um pedestal encimado por um busto da Princesa Isabel. No último canteiro, um centenário Mandacaru.

Reza a lenda que o Mandacaru só floria no final do ano e os alunos acreditavam que cada flor representava um deles que seria reprovado, o que causava certa angustia.

Mais adiante, à esquerda, havia originalmente um belo jardim com flores exóticas, muito bem cuidado. À direita, descendo alguns degraus, seguia-se para o acesso às salas de ginásio e curso normal sendo que, ali ainda havia algumas onde funcionava o primário. Atrás do Pavilhão Ruy Barbosa, uma quadra de esportes onde se praticava a Educação Física.

Seguindo pelo acesso antes descrito, um portão dava abertura a um novo pátio com mais algumas salas, dentre elas a de Geografia, encimada por um teto rebaixado de madeira, onde estava pintado o firmamento com suas diversas constelações. No pátio, alguns acidentes geográficos como rios com pontes, ilhas etc. Havia ainda um terceiro pátio, onde deveria ser a Escola Normal.

Com a transferência do “ensino secundário” para o outro extremo da cidade, aquele lugar passou a funcionar como Escolas Anexas à Escola Normal e Colégio Estadual de Caetité. Mais tarde, ao Instituto de Educação Anísio Teixeira.

Vale lembrar que àquela época, o ensino era constituído de Jardim de Infância, Escola Primária, Ginásio e Escola Normal ou Curso Pedagógico. Depois foram criados ainda o curso Intermediário e o Científico. Mas, no início, havia apenas um curso de formação de professores que durava três anos.

Por ali passaram grandes caetiteenses ilustres. Não só como alunos, mas como mestres. E vinham pessoas de várias localidades para se graduarem professores, tornando-se, assim, nossa cidade a provedora dos diversos colégios da Bahia, quiçá, do norte de Minas Gerais. Citemos nomes como de Helena Lima, Padre Palmeira, Aloysio Short, Celsina Spínola Teixeira, Belaniza Lima, Eponina Gumes, Judith Moreira, Professor Alfredo, Professor Meireles, Professor Edilberto, Hélio Negreiros, Vany Silveira, Conceição Pontes e um sem número de outros igualmente competentes e ilustres. Muitos foram alunos e, de pois, professores, Outros vieram de fora para ali exercer a docência.

Quando se tornou apenas escola primária na segunda metade da década de cinqüenta, tornou-se a maior escola da região, tanto como o IEAT foi um dos maiores colégios da Bahia.

Desativada após a construção do novo prédio das Escolas Anexas atrás do IEAT, encontrou o abandono das autoridades, tendo prédios desabados, inclusive o Pavilhão Goes Calmon que desapareceu graças a um dos prefeitos que não valorizaram a cultura da nossa terra. Junto com ele, foram também o busto da Princesa Isabel e muitas recordações daqueles que ali acalentaram seus sonhos.

Hoje o que resta está sendo aproveitado pelo poder público. O Pavilhão Ruy Barbosa abriga a Câmara de Vereadores.

Há no deslumbramento do seu porte, em minhas recordações, um grupo de crianças sorridentes brincando, correndo, cantando, aprendendo em cada cantinho das suas salas, dos seus pátios.

Há ainda no aconchego das suas salas, aquela onde nos reuníamos uma vez por semana para cantar os hinos oficiais da nossa terra Brasil. Com uma caderneta onde conservávamos suas cópias, nos perfilávamos e nossas vozes ecoavam com eco num sentimento puro de amor e nativismo. E nas demais salas ressoam a voz das mestras que nos ensinaram o bê-a-ba.

Há uma dona Nadir e uma dona Cecê no nosso Jardim de Infância, pessoas que nasceram predestinadas a nos ensinar com amor, a trabalhar com crianças.

Há uma dona Judith a incutir em nós, não só a vontade de aprender a ler e escrever, mas a de continuarmos aprendendo pela vida afora. E gostarmos ler, de escrever. A acreditarmos em Deus e na bondade. E há outras Didas, Eponinas, Terezas, Helenas, Marias, Odetes, Nices, Anas e muitas e muitas outras que marcaram para sempre a nossa vida como mestras de escola e de vida.

De tudo ficou muito. Muitas lembranças, muita saudade, muita sabedoria e, o melhor de tudo, ficou a amizade que ali nos uniu e permanece até hoje! Saudades daquela vida de criança feliz e bem educada!

Luzmar Oliveira - luz.luz2010@hotmail.com – WhatsApp: 71-99503115 – Face: Luzmar Oliveira Luz

(Fontes: Internet, Inis Cotrim e memória)

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