HERDEIROS BRIGAM POR " PAGADOR DE PPROMESSAS"

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Herdeiros brigam por "Pagador de Promessas"


Esquenta a disputa entre herdeiros do diretor Anselmo Duarte, de "O Pagador de Promessas", e o produtor Aníbal Massaini, que administra a obra e tem direitos exclusivos sobre a sua exibição. O filme é um ícone, já que é o único da história do cinema brasileiro a ganhar a Palma de Ouro em Cannes, em 1962. "Vamos à Justiça para cancelar esse contrato e exigir informações. Desde que me conheço por gente, não vejo uma prestação de contas", diz Ricardo Duarte, filho do diretor, morto em 2009. As declarações foram dadas à coluna depois que Massaini anunciou que tentaria impedir a exibição do filme no MIS (Museu da Imagem e do Som) nesta semana, em SP, porque não teria sido consultado sobre a sessão. "Nossa empresa já distribuiu 300 filmes e é enaltecida pela transparência na prestação de contas. 'O Pagador de Promessas' não seria uma exceção", diz Massaini. "Qualquer pessoa pode entrar com a ação que quiser. Mas a primeira coisa que eles [herdeiros de Anselmo] deveriam fazer é respeitar um contrato que existe há 50 anos." O produtor Oswaldo Massaini, pai de Aníbal, foi sócio de Anselmo Duarte no filme. Cada um detinha 50% dos direitos da obra, e a empresa de Massaini, CineDistri, a exclusividade na distribuição.
A disputa envolve até o troféu da Palma de Ouro. Na década de 80, os prêmios do filme ficavam em exibição num armário na CineDistri. Os sócios tiveram uma rusga. Um belo dia, Anselmo "levou todos os prêmios embora de lá, num saco de lixo", diz o filho. Anos mais tarde, Anselmo Duarte entregou os prêmios para um centro cultural de Salto (SP), sua cidade natal. Aníbal Massaini questiona: "Ele não podia doar o que era também do meu pai". Aníbal Massaini conta que o pai não apenas se associou a "O Pagador de Promessas" como ainda bancou a parte do diretor. "O Jânio Quadros [então presidente] prometeu ao Anselmo que o financiaria. Mas, no meio do filme, renunciou", diz. "Meu pai então emprestou dinheiro a ele." "O Aníbal conta essa história, mas na verdade meu pai, quando se associava ao filme, não cobrava o cachê de diretor", diz Ricardo Duarte. O filho de Anselmo resume: "Se ele [Aníbal Massaini] quer fazer da minha vida um inferno, eu vou fazer o mesmo com ele". Massaini diz que não recua um milímetro: "Vamos ver se o Ricardo tem competência para isso. Pela forma que coloca, desconfio que não vai ter êxito algum". (Mônica Bergamo)

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