O Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed-BA) encaminhou ofício ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e ao Ministério da Saúde (MS) solicitando investigação no encerramento de contratos de médicos que atuavam no interior baiano, em decorrência da contratação de profissionais do programa Mais Médicos.
Conforme o documento elaborado pelo sindicato, no início de novembro, quatro médicos foram demitidos de suas funções nas cidades de Caldeirão Grande, São Felipe e Seabra (respectivamente a 368 km, 182 km e 478 km de Salvador), para que profissionais cubanos, recém-chegados ao Brasil, ocupassem as vagas.
O presidente do Sindimed-BA, Francisco Magalhães, acredita que tal atitude está sendo tomada pelas prefeituras como forma de reduzir despesas com o pagamento desses profissionais.
“Como o profissional selecionado pelo programa recebe uma bolsa paga pelo governo federal, a prefeitura está isenta do pagamento do seu salário. Para os prefeitos, é mais barato retirar um médico que já atua e substituí-lo por um estrangeiro”, disse.
Segundo informações da assessoria de comunicação do MP-BA, até o final da tarde de ontem, o órgão ainda não havia recebido o ofício. O MS também nega o recebimento do documento.
Um dos casos denunciados pelo sindicato foi o da médica Lourdes Moreira Ruiz, de 60 anos, lotada há três anos em Seabra.
A profissional, que atuava em um Posto de Saúde da Família (PSF) da comunidade quilombola de Baixo Velho – a 40 km do centro do município -, foi informada, há cerca de 10 dias, de que ia ser transferida porque seria substituída por um cubano.
“Ofereceram-me trabalho em outro posto, que não tem a menor estrutura para se trabalhar. É uma situação de total desrespeito”, comentou.
A secretária de Saúde de Seabra, Mônica Luz, nega as acusações: “A médica em questão não foi demitida, apenas transferida. Em Seabra, há uma rotatividade grande de médicos. Por medo de que ela abandonasse a vaga a qualquer momento, inscrevi o município no Mais Médicos como garantia”.