SINDICATOS DENUNCIAM MAIS DE 400 DEMISSÕES NA RECORD
A Record está reduzindo seu quadro de funcionários, promovendo demissões em emissoras de todo o país. Em levantamento realizado pela Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert), foram identificadas ao menos 433 demissões de profissionais do grupo de comunicação no primeiro semestre do ano. Apenas no RecNov, centro de produção de novelas e complexo de estúdios da emissora no Rio de Janeiro, os cortes atingiram 239 funcionários. Em São Paulo, o número de baixas chegou a 47. Os escritórios do Espírito Santo também perderam 46 profissionais. Procurada pela reportagem, a Record optou por não se manifestar sobre o assunto. Os sindicatos do setor denunciam a precarização das condições de trabalho nos veículos do grupo, que estariam investindo em contratações terceirizadas ou em regime de pessoa jurídica. “Falar em crise é conversa fiada, pois é nesse período que mais faturaram. Um exemplo disso é a Record Goiás, que aumentou seu faturamento em 26% nesse semestre. O problema é que os patrões só querem lucrar", afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação de Goiás e Tocantis (Sindicom), Miguel Novaes. Outro ponto levantado pelo presidente do Sindicato dos Radialistas do Distrito Federal (Sinrad-DF), Marco Clemente, é que as novas tecnologias estão tomando o lugar da produção profissional. "As empresas solicitam que as pessoas, ouvintes e telespectadores encaminhem para as redações mensagens de WhatsApp em vídeo e transmitem esse material. Os radialistas e jornalistas estão sendo preteridos. E isso é reproduzido para a sociedade como material jornalístico”. As entidades levaram o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Para o coordenador do Sindicato dos Radialistas da Bahia, Everaldo Santos Monteiro, a busca da intervenção dos órgãos fiscalizadores deve ser uma prática constante. "O caso da Record nos despertou preocupação para brecar modelo que certamente seria aplicado por outros grupos da radiodifusão. Por isso remetemos o caso ao MPT, a fim de enquadrar os que enxugam suas folhas com demissões em massa, mesmo com a garantia de seu faturamento e principalmente com os altos investimentos em verbas publicitárias públicas para o setor". (Comunique-se)
Cultura demite mais de 50; funcionários cogitam nova greve
A Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, demitiu ao menos 53 pessoas na tarde desta quarta-feira (15). Segundo relatos de funcionários, na rescisão não havia garantia do pagamento de multa do fundo de garantia nem aviso prévio, o que levou muitos a não assinarem a demissão. Entre os demitidos, estão a diretora de Recursos Humanos, o gerente de comunicação, e produtores e editores, entre outros, do “Viola, Minha Viola” e do “Provocações”, programas cujos apresentadores, Inezita Barroso e Antônio Abujamra, morreram neste ano. Funcionários dizem que pode haver mais cortes nesta quinta (16). Na sexta (17) haverá assembleia para os radialistas decidirem se entram novamente em greve. Após paralisação no fim de junho, um acordo foi selado prevendo que não ocorreriam demissões em um prazo de 30 dias. A Cultura passa por uma crise financeira. Neste ano, o governo estadual reduziu em 20% o orçamento repassado à Fundação Padre Anchieta, e houve uma queda significativa na receita publicitária no primeiro semestre. Procurada, a Cultura não respondeu à coluna. (Lígia Mesquita)
Nenhum comentário