“As redes sociais têm muita coisa bacana. Através delas a gente reencontra amigos e familiares que estavam “perdidos”, conhece novas pessoas, se diverte, se atualiza, protesta e por aí vai. O saudoso Chacrinha já dizia que “quem não se comunica se trumbica!”.
Contudo, uma coisa tem me chamado muito a atenção: a falta de limites que certas pessoas têm demonstrado nas redes e que nada mais são que a extensão da falta de limites que essas pessoas têm em qualquer lugar.
Recentemente um amigo postou uma piada em seu mural do Facebook. Fiz um comentário no post dele, remetendo a uma situação da época em que trabalhamos juntos. Imediatamente um rapaz postou um comentário extremamente ríspido em resposta à minha brincadeira, sendo que ele sequer tinha como entender o significado da mesma por desconhecer a situação que a gerou. Respondi em tom ameno, o que foi rebatido com novo comentário que, dessa vez, foi ainda mais grosseiro. Respirei fundo e respondi que o espaço em específico do post era para brincadeiras e não para alfinetadas. Além, que eu não o conhecia e que, em se tratando disso, gostaria que as formalidades e respeito fossem mantidos. Nova resposta do sujeito, que dessa vez conseguiu se superar na falta completa de noção de fair play, limite, cordialidade e respeito a uma desconhecida (eu, no caso) e também ao seu próprio amigo (o amigo em comum).
Minha opção foi apagar meus comentários e enviar mensagem privada ao amigo que o sujeito e eu temos em comum, citando que considerei deselegante a atitude do rapaz e que em respeito a ele (meu amigo) eu não iria seguir a discussão, afinal, não se tratava do meu mural, do meu espaço. O amigo em questão respondeu que considerou minha atitude correta, e então falamos um pouco sobre essa onda de liberdade não dada que está assolando as redes.
Então, pergunto: que liberdade é essa que as pessoas tomaram ao atravessar conversas entre A e B, falar tudo o que pensam muitas vezes sem entender o que está sendo dito por outras pessoas, xingar, ser mal-educadas, agressivas, intolerantes? As redes sociais não deixam de ser extensões de nossos espaços reais, e eu me sinto invadida e incomodada com alguns comentários e atitudes que certas pessoas tomam, ainda mais pessoas que não conheço. Por certas vezes qualquer um de nós pode ultrapassar algum limite sem perceber e ok, fatos isolados podem ser perdoados. Mas a constância desse tipo de comportamento não é legal e pode indicar até mesmo algum tipo de transtorno psíquico.
Liberdade com os outros, assim como a própria, se conquista. Se não dei, não tome. Se sinalizei o limite, não insista. Espaço e respeito, virtual ou não, todo mundo quer o seu e precisa saber conviver com o dos outros. É a velha máxima do “seu espaço termina onde inicia o meu”, lembram?
Quem é mal-educado e agressivo nas redes sociais também é na vida. Emitir opinião não precisa ser sinônimo de grosseria/intolerância/violência. Limite + respeito é bom e todo mundo “curte”. Como muito cita Salo de Carvalho, “teach peace“ – em todos os espaços.”
Aline Bäumer
Psicóloga – CRP 07/13627
Sócia Diretora da Plural Psicologia e Consultoria| Santa Maria- RS | (55) 3225-1632)
Psicóloga – CRP 07/13627
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