Foto Tomaz Silva /Agência Brasil
Caso que comoveu o país chegou ao desfecho no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro após mais de cinco anos de investigação e tramitação
Após 11 dias de julgamento, o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro definiu os responsáveis pela morte de Henry Borel, criança de 4 anos que morreu em março de 2021 em um dos casos criminais de maior comoção do país nos últimos anos.
O caso Henry Borel mobilizou a opinião pública após a morte do menino. As investigações apontaram que a criança sofreu diversas agressões dentro de casa, levando à acusação do então padrasto, Jairo Souza Santos Júnior, o “Jairinho“, e da mãe, Monique Medeiros. O episódio intensificou o debate sobre violência contra crianças e responsabilidade familiar no Brasil.
Os jurados consideraram Jairinho culpado por homicídio duplamente qualificado e por um crime de tortura contra Henry. Ele também foi condenado ao pagamento de multa. Por outro lado, o Conselho de Sentença rejeitou outras duas acusações de tortura que integravam a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Monique Medeiros foi condenada por omissão diante das agressões sofridas pelo filho. O júri entendeu que ela agiu com negligência ao não impedir a violência contra a criança, mas desclassificou a acusação de homicídio doloso para homicídio culposo. Como já havia cumprido o período correspondente à pena aplicada, ela recebeu alvará de soltura e foi liberada.
Durante o julgamento, foram ouvidos médicos, peritos, policiais e testemunhas ligadas à família. A acusação sustentou que Henry era vítima de agressões recorrentes e que a mãe tinha conhecimento da situação, mas não adotou medidas para protegê-lo. Um dos momentos mais emocionantes do júri foi o depoimento de Leniel Borel, pai da criança. Ele relatou mudanças de comportamento observadas no filho antes da morte e descreveu o estado em que encontrou Henry no hospital na madrugada de 8 de março de 2021.
Outro ponto que chamou atenção durante o julgamento foi o distanciamento entre as estratégias adotadas pelas defesas dos dois réus. Ao contrário do que ocorreu nos primeiros momentos da investigação, Jairinho e Monique passaram a apresentar versões divergentes sobre os fatos. Em diferentes momentos do júri, os argumentos utilizados pelos advogados indicaram tentativas de afastar a responsabilidade de seus clientes, criando um cenário de acusações indiretas entre os dois envolvidos.
Com a decisão do Tribunal do Júri, chega ao fim uma das etapas mais importantes do processo que mobilizou a opinião pública desde 2021 e gerou amplo debate sobre violência infantil e responsabilidade familiar.
Informações Bahia.ba
